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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

"Loucura é “ficar” sete meses, namorar cinco anos, noivar mais dois e não ter tesão na lua de mel. Perigo é não se render a alguém que tem urgência em te querer só porque o manual de instruções do seu coração recomenda prudência e canja de galinha. Você pode perder a razão, a cabeça, os princípios, a harmonia e a saúde mental. Desde que saiba exatamente onde está seu coração. Loucura é não arriscar. Perigo é não ceder."

Gabito Nunes

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Um dia, eu sei, você vai entender os meus motivos. E talvez eu os entenda também. Você estava meio etílica, mas sei que foi honesta, pelo menos na hora em que disse aqueles troços. Não sei o nome disso que estamos sentindo um pelo outro e também não me importa. Pode ser o ápice ou o precipício, e tudo bem. E também não sei se teremos habilidade para cultivar isso por três semanas ou por três décadas inteiras. Só sei que agora estou interessado em saber como será o próximo passo.

domingo, 29 de abril de 2012

Não é fácil explicar. Eu sou assim, meio morto por dentro. Faço as coisas por empolgação e no outro dia, sei lá. Sou dessas pessoas que ficam procurando as canções no rádio até achar um clássico, algo perfeito para aquele horário do dia, aquele semáforo. A música acaba e eu troco de estação.

sábado, 7 de abril de 2012

Para uma garota, eu acho ela muito fechada. Pô, passei décadas tentando compreender uma mulher, saindo com elas, para quando eu morasse com uma, eu soubesse o que fazer. E agora isso, parece que estou namorando o Kimi Raikkonen. Ela é estranha, nunca demonstra nenhuma insatisfação, nunca faz uma cena de ciúme, não chora em filmes. Nunca sei como agir, é como se meu time jogasse sem centroavante, sabe? Fico sem referência.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Leia mais, se quiser ser algo mais na vida que esposinha de engravatadinho com crises hepáticas cada vez que a bolsa de valores vai à lona. Aos trinta, você vai precisar de um amante porque ele decidiu matar tudo no peito e você não precisa trabalhar fora. No entanto, ele não te dá filhos pra criar como ocupação porque o baque no mercado imobiliário dizimou suas ereções matinais e as noturnas são esmagadas pelo informe econômico na televisão. Então você vai se tornar uma gorda depressiva que bebe uísque com guaraná as três da tarde assistindo a reprise de Oprah, enquanto ele fode a própria secretária na mesa do escritório que você ajudou a escolher, com toda sua dedicação feminina que deveria ter sido usada pra manter-se desejável pra vagabundos como eu. Caras que, lá na frente, vão passar as tardes opacas transando com mulheres como você por alguns cheques sem cruzar, com dois zeros pra mais. Às vezes você vai atender seu único paciente em casa mesmo, o máximo longe que ele a permitiu. E adivinha? De forma inversa, a terapia funcionará melhor pra você, que vai invejar a loucura do doente em cada um dos cinquenta minutos que passar no seu divã de vinil, comprado em dinheiro vivo na Tok & Stok.


(...)

Conheço a vida pelos livros. E só quero evitar que uma garota se desvirtue no seu caminho. Você nasceu pra ser lambida, como essa colher de sobremesa. – seus olhos inflaram, pude ver um brigando com o outro porque um ficou deveras consternado com tal atrevimento e o outro ardeu em tesão, embora oficialmente ofendida. – Preciso fechar o lugar, acionar o alarme, tomar um banho, ir pra casa, enfim, dormir.
Eu sei, fui egoísta. Larguei tudo pra trás, quem eu penso que sou pra sonhar que tudo é como foi? Ninguém. Sei enxergar isso. A gente tem fome de vida, de tudo, luta contra a morte o tempo inteiro e esquece que provavelmente o amor é maior que as duas coisas juntas. Mas isso você se dá conta quando pisa os tênis sujos de mundo no seu velho lugar, e a pessoa que você em momento algum se esqueceu de lembrar não está lá pra te receber. Eu quis manter todas as minhas opções abertas e agora estou pedindo perdão pela minha incapacidade de me prender, de ficar. Não é irônico?

(...)

A gente dá as costas para as emoções fortes em nome do êxtase, porque consideramos que o êxtase é o melhor. Não sabemos sentir o que é realmente importante e bom. Essa vontade estúpida de sair por aí querendo não perder nada acabou me fazendo perder tudo. Perder você, perder manhãs que eu podia ter acordado do teu lado, perder a ideia de passear contigo num parque, só soltando sua mão pra achar um trocado que pague uma coca-cola gelada. Sete anos é tarde demais pra chorar de saudade? Como assim, quem fala? Qual o número aí? Desculpa, foi engano meu. Esquece tudo que eu falei, senhora. 

Gabito Nunes

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Acho que te devo um pedido de desculpas. É que nem eu mesmo gosto muito de mim, e fico meio assustado quando alguém me diz que consegue isso. É que você parecia minha amiga, só minha amiga. Você fala como uma amiga. Me cumprimenta como amiga. Me telefona e me convida para cinemas como uma amiga. Seu riso é de amiga. O seu abraço é de amiga. Mas eu devia ter desconfiado, seus cabelos sempre tiveram cheiro de namorada. Existe algo errado numa amizade quando o resto do mundo parece chato e nós os únicos legais.

Mas, conhecer você e ser seu parceiro de pipoca foi bom. Bom como ler uma letra bonita sem poder escutar a incrível música por trás dela. Como planejar um final de semana na praia e ter dois pneus furados no meio da estrada. Descobrir uma ruazinha bonita no seu bairro e ser estuprado nela. Você é a chuva no meu piquenique. Você é o show do Weezer que não consigo ver porque sou muito baixo. Você é a deliciosa torta de chocolate e limão que para comer eu preciso estar presente no aniversário de 70 anos da minha tia Rosalina. Sou Jennifer Aniston tentando converter um gay em "A Razão do Meu Afeto". Você é minha pipa enrolada nos fios de alta-tensão. Você é meu peixe novo que morreu na primeira semana. Você é o irmão gêmeo malvado que eu descobri a existência. Você é o game "The Beatles: Rock Band" para XBox que custa quase dois mil dinheiros. Você é como uma baleia em extinção querendo viver na minha piscina de mil litros. É como se eu finalmente aprendesse a voar e você fosse a Kriptonita. Eu sou o país independente que você não deixa em paz. Você é o braço que eu quebrei tentando catar as goiabas do vô Agenor. Você é o Barcelona vs Real Madrid que não passa na minha tevê. Sou Midas louco pra te beijar a boca sabendo que tudo que ponho a mão vira ouro. É como abrir minha lata de refrigerante e descobrir um camondongo morto boiando dentro. É como criar coragem pra subir no palco cantar "Love Will Tear Us Apart" e lá de cima enxergar você no guichê, pagando pra ir embora.

Sei que andei falando coisas sem pensar. Me esforcei pra deixar quieto, ficar de boca calada, não fazer merda. Quase deu certo. Você sabe, sou meio blá. Olha, sei que andei falhando todas essas vezes, nos últimos meses. Em minha defesa, não era bem eu. Só estava tentando ser uma outra coisa, sei lá, algo que pudesse merecer você. Como eu poderia adivinhar que alguém como você gostaria de mim, assim desse jeito atrapalhado que eu sou? Vamos ser sinceros, pra conquistar você tinha de ser de rali. Contando só a arrancada eu não teria a menor chance.

Um dia, eu sei, você vai entender os meus motivos. E talvez eu os entenda também. Você estava meio etílica, mas sei que foi honesta, pelo menos na hora em que disse aqueles troços. Não sei o nome disso que estamos sentindo um pelo outro e também não me importa. Pode ser o ápice ou o precipício, e tudo bem. E também não sei se teremos habilidade para cultivar isso por três semanas ou por três décadas inteiras. Só sei que agora estou interessado em saber como será o próximo passo.
"Aí lembro daquela do Los Hermanos. Canto ela um pouco, baixinho, fitando nada. Você grita que adora essa. Eu me assusto. Não por gostar dessa, mas pelo grito. Eu já sabia. Agora vai lembrar de mim sempre que escutar. Ou seja, quase sempre. Aí eu canto como quem não quer nada, querendo tudo “…até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei…”. Você finge não entender."
(Gabito Nunes)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011


"Por um momento, só por um momento, esqueci de me vigiar e pensei: Merda, ainda te amo. Pensei, somente."
Gabito Nunes 

sábado, 3 de setembro de 2011


“Eu sei, tudo isso soa meio triste e solitário, mas durante todo esse tempo que você ficou ao meu lado me ensinando como ser sozinha, tudo indica que fiquei boa nisso.”
Gabito Nunes

quinta-feira, 19 de maio de 2011


Perguntaram pra mim: “Por que eu não tenho namorado? Algo em mim repele os homens? Sou uma mulher embargada? Há uma placa de ‘proibido estacionar’ em minhas costas? Me diga!” Olha eu não sei porque não tem namorado. Honestamente.
Poxa, come batata frita, torta de limão churrasco e trufa de leite condensado. Ok, a alcunha de magricela, cabo de vassoura ou de Olívia Palito nunca lhe serviram, talvez. Urros sobre sua suposta suculência não tem advindo de prédios em construção, quiçá. Quem sabe não fica bem de ‘tomara-que-caia”, tropica no salto agulha, não combina numa minissaia. Mas desbanca a miss Venezuela num vestido primaveril, pisando numa rasteirinha prateada com o cabelo preso naquele lápis de cor-de-rosa, soprando a franja pra cima no calor. Não vai me acreditar, mas tu é bonita.
Tu passa longe de uma Fernanda Young, uma Lya Luft, uma Sandra Werneck. Mas tu é inteligente à sua maneira. Assiste novela, mas não comenta a vida dos personagens. Gosta de Clarice, da Cecília, da Martha. Curte o Tom, a Adriana, o Nando, a Zizi, o Cazuza. Trabalha, suspira, trabalha, checa as unhas, trabalha, sonha, trabalha, belisca uma água-e-sal, trabalha e um colega de trabalho te olha. E te acha bonita idem. E também se intriga com a tua solteirice.
Tem princípios iguais os da mãe. Mas se acha careta, às vezes. Não cede, mesmo só. Adora sexo, embora não faça com a mesma freqüência do desejo. Se faz, não vibra na mesma freqüência que o parceiro. Sente raiva por ser secretamente boba, romântica e demodê. Se derrete mais rápido que o sorvete napolitano na xícara de sopão quando a mocinha diz “você me fez acordar com um sorrisão no meu rosto”. Chora na frente de ninguém, ai de ti se mais alguém souber. E você não vê a hora de um príncipe encantado por ti libertar esse riso largo atrofiado, mas sabidamente bonito.
Tem suas esquisitices. Dorme de ederedon e ventilador, coleciona esmaltes, cerra as pernas quando sentada e fica coçando o joelho com uma das mãos enquanto a outra segura a cabeça pelo queixo, ensaia dança do ventre pro espelho do banheiro,faz duas vezes antes de pensar, tem uns ‘nhe-nhe-nhê” de mulherzinha. Mas qual não tem? É até bem charmoso. Nada tão relevante quanto sua forma meiga e carinhosa de perguntar “tu tá bem?”. Nada mais importante que teu ímpeto de cuidar dos outros. Nada que mude minha convicção de que tu é bonita.

O que te falta? Falta tu mesma se convencer do que te falo com certeza. Tu merece alguém que abra os olhos diariamente e pense: “cara, eu to com ela, eu sou o namorado dela”. Que goste da tua boca, do teu ombro, do teu cabelo bagunçado, do teu calcanhar, da tua cintura das tuas mãos, do cheiro da tua pele, das sardas do teu rosto. E isso vai acontecer naturalmente se você se dar conta de que tu é bonita, no âmago e na lata. Eu acho, teu ginecologista também, o colega de trabalho assina embaixo. Um dia serás o amor da vida de alguém do jeitinho que tu é. Falta tu. Acorde hoje e repita: “eu sou bonita”.
- Gabito Nunes

domingo, 8 de maio de 2011

"O que te falta? Falta tu mesma se convencer do que te falo com certeza. Tu merece alguém que abra os olhos diariamente e pense: 'cara, eu tô com ela, eu sou o namorado dela!'. Que goste da tua boca, do teu ombro, do teu cabelo bagunçado, do teu calcanhar, da tua cintura, das tuas mãos, do cheiro da tua pele, das sardas do teu rosto. E isso vai acontecer naturalmente ao você se dar conta de que tu é bonita, no âmago e na lata. Eu acho, teu ginecologista também, o colega de trabalho assina embaixo. Um dia serás o amor da vida de alguém, do jeitinho que tu é. Falta tu. Acorde hoje e repita: 'eu sou bonita'."

(Gabito Nunes)
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"Loucura é “ficar” sete meses, namorar cinco anos, noivar mais dois e não ter tesão na lua de mel. Perigo é não se render a alguém que tem urgência em te querer só porque o manual de instruções do seu coração recomenda prudência e canja de galinha. Você pode perder a razão, a cabeça, os princípios, a harmonia e a saúde mental. Desde que saiba exatamente onde está seu coração. Loucura é não arriscar. Perigo é não ceder."

Gabito Nunes
Um dia, eu sei, você vai entender os meus motivos. E talvez eu os entenda também. Você estava meio etílica, mas sei que foi honesta, pelo menos na hora em que disse aqueles troços. Não sei o nome disso que estamos sentindo um pelo outro e também não me importa. Pode ser o ápice ou o precipício, e tudo bem. E também não sei se teremos habilidade para cultivar isso por três semanas ou por três décadas inteiras. Só sei que agora estou interessado em saber como será o próximo passo.
Não é fácil explicar. Eu sou assim, meio morto por dentro. Faço as coisas por empolgação e no outro dia, sei lá. Sou dessas pessoas que ficam procurando as canções no rádio até achar um clássico, algo perfeito para aquele horário do dia, aquele semáforo. A música acaba e eu troco de estação.
Para uma garota, eu acho ela muito fechada. Pô, passei décadas tentando compreender uma mulher, saindo com elas, para quando eu morasse com uma, eu soubesse o que fazer. E agora isso, parece que estou namorando o Kimi Raikkonen. Ela é estranha, nunca demonstra nenhuma insatisfação, nunca faz uma cena de ciúme, não chora em filmes. Nunca sei como agir, é como se meu time jogasse sem centroavante, sabe? Fico sem referência.
Leia mais, se quiser ser algo mais na vida que esposinha de engravatadinho com crises hepáticas cada vez que a bolsa de valores vai à lona. Aos trinta, você vai precisar de um amante porque ele decidiu matar tudo no peito e você não precisa trabalhar fora. No entanto, ele não te dá filhos pra criar como ocupação porque o baque no mercado imobiliário dizimou suas ereções matinais e as noturnas são esmagadas pelo informe econômico na televisão. Então você vai se tornar uma gorda depressiva que bebe uísque com guaraná as três da tarde assistindo a reprise de Oprah, enquanto ele fode a própria secretária na mesa do escritório que você ajudou a escolher, com toda sua dedicação feminina que deveria ter sido usada pra manter-se desejável pra vagabundos como eu. Caras que, lá na frente, vão passar as tardes opacas transando com mulheres como você por alguns cheques sem cruzar, com dois zeros pra mais. Às vezes você vai atender seu único paciente em casa mesmo, o máximo longe que ele a permitiu. E adivinha? De forma inversa, a terapia funcionará melhor pra você, que vai invejar a loucura do doente em cada um dos cinquenta minutos que passar no seu divã de vinil, comprado em dinheiro vivo na Tok & Stok.


(...)

Conheço a vida pelos livros. E só quero evitar que uma garota se desvirtue no seu caminho. Você nasceu pra ser lambida, como essa colher de sobremesa. – seus olhos inflaram, pude ver um brigando com o outro porque um ficou deveras consternado com tal atrevimento e o outro ardeu em tesão, embora oficialmente ofendida. – Preciso fechar o lugar, acionar o alarme, tomar um banho, ir pra casa, enfim, dormir.
Eu sei, fui egoísta. Larguei tudo pra trás, quem eu penso que sou pra sonhar que tudo é como foi? Ninguém. Sei enxergar isso. A gente tem fome de vida, de tudo, luta contra a morte o tempo inteiro e esquece que provavelmente o amor é maior que as duas coisas juntas. Mas isso você se dá conta quando pisa os tênis sujos de mundo no seu velho lugar, e a pessoa que você em momento algum se esqueceu de lembrar não está lá pra te receber. Eu quis manter todas as minhas opções abertas e agora estou pedindo perdão pela minha incapacidade de me prender, de ficar. Não é irônico?

(...)

A gente dá as costas para as emoções fortes em nome do êxtase, porque consideramos que o êxtase é o melhor. Não sabemos sentir o que é realmente importante e bom. Essa vontade estúpida de sair por aí querendo não perder nada acabou me fazendo perder tudo. Perder você, perder manhãs que eu podia ter acordado do teu lado, perder a ideia de passear contigo num parque, só soltando sua mão pra achar um trocado que pague uma coca-cola gelada. Sete anos é tarde demais pra chorar de saudade? Como assim, quem fala? Qual o número aí? Desculpa, foi engano meu. Esquece tudo que eu falei, senhora. 

Gabito Nunes
Acho que te devo um pedido de desculpas. É que nem eu mesmo gosto muito de mim, e fico meio assustado quando alguém me diz que consegue isso. É que você parecia minha amiga, só minha amiga. Você fala como uma amiga. Me cumprimenta como amiga. Me telefona e me convida para cinemas como uma amiga. Seu riso é de amiga. O seu abraço é de amiga. Mas eu devia ter desconfiado, seus cabelos sempre tiveram cheiro de namorada. Existe algo errado numa amizade quando o resto do mundo parece chato e nós os únicos legais.

Mas, conhecer você e ser seu parceiro de pipoca foi bom. Bom como ler uma letra bonita sem poder escutar a incrível música por trás dela. Como planejar um final de semana na praia e ter dois pneus furados no meio da estrada. Descobrir uma ruazinha bonita no seu bairro e ser estuprado nela. Você é a chuva no meu piquenique. Você é o show do Weezer que não consigo ver porque sou muito baixo. Você é a deliciosa torta de chocolate e limão que para comer eu preciso estar presente no aniversário de 70 anos da minha tia Rosalina. Sou Jennifer Aniston tentando converter um gay em "A Razão do Meu Afeto". Você é minha pipa enrolada nos fios de alta-tensão. Você é meu peixe novo que morreu na primeira semana. Você é o irmão gêmeo malvado que eu descobri a existência. Você é o game "The Beatles: Rock Band" para XBox que custa quase dois mil dinheiros. Você é como uma baleia em extinção querendo viver na minha piscina de mil litros. É como se eu finalmente aprendesse a voar e você fosse a Kriptonita. Eu sou o país independente que você não deixa em paz. Você é o braço que eu quebrei tentando catar as goiabas do vô Agenor. Você é o Barcelona vs Real Madrid que não passa na minha tevê. Sou Midas louco pra te beijar a boca sabendo que tudo que ponho a mão vira ouro. É como abrir minha lata de refrigerante e descobrir um camondongo morto boiando dentro. É como criar coragem pra subir no palco cantar "Love Will Tear Us Apart" e lá de cima enxergar você no guichê, pagando pra ir embora.

Sei que andei falando coisas sem pensar. Me esforcei pra deixar quieto, ficar de boca calada, não fazer merda. Quase deu certo. Você sabe, sou meio blá. Olha, sei que andei falhando todas essas vezes, nos últimos meses. Em minha defesa, não era bem eu. Só estava tentando ser uma outra coisa, sei lá, algo que pudesse merecer você. Como eu poderia adivinhar que alguém como você gostaria de mim, assim desse jeito atrapalhado que eu sou? Vamos ser sinceros, pra conquistar você tinha de ser de rali. Contando só a arrancada eu não teria a menor chance.

Um dia, eu sei, você vai entender os meus motivos. E talvez eu os entenda também. Você estava meio etílica, mas sei que foi honesta, pelo menos na hora em que disse aqueles troços. Não sei o nome disso que estamos sentindo um pelo outro e também não me importa. Pode ser o ápice ou o precipício, e tudo bem. E também não sei se teremos habilidade para cultivar isso por três semanas ou por três décadas inteiras. Só sei que agora estou interessado em saber como será o próximo passo.
"Aí lembro daquela do Los Hermanos. Canto ela um pouco, baixinho, fitando nada. Você grita que adora essa. Eu me assusto. Não por gostar dessa, mas pelo grito. Eu já sabia. Agora vai lembrar de mim sempre que escutar. Ou seja, quase sempre. Aí eu canto como quem não quer nada, querendo tudo “…até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei…”. Você finge não entender."
(Gabito Nunes)

"Por um momento, só por um momento, esqueci de me vigiar e pensei: Merda, ainda te amo. Pensei, somente."
Gabito Nunes 

“Eu sei, tudo isso soa meio triste e solitário, mas durante todo esse tempo que você ficou ao meu lado me ensinando como ser sozinha, tudo indica que fiquei boa nisso.”
Gabito Nunes

Perguntaram pra mim: “Por que eu não tenho namorado? Algo em mim repele os homens? Sou uma mulher embargada? Há uma placa de ‘proibido estacionar’ em minhas costas? Me diga!” Olha eu não sei porque não tem namorado. Honestamente.
Poxa, come batata frita, torta de limão churrasco e trufa de leite condensado. Ok, a alcunha de magricela, cabo de vassoura ou de Olívia Palito nunca lhe serviram, talvez. Urros sobre sua suposta suculência não tem advindo de prédios em construção, quiçá. Quem sabe não fica bem de ‘tomara-que-caia”, tropica no salto agulha, não combina numa minissaia. Mas desbanca a miss Venezuela num vestido primaveril, pisando numa rasteirinha prateada com o cabelo preso naquele lápis de cor-de-rosa, soprando a franja pra cima no calor. Não vai me acreditar, mas tu é bonita.
Tu passa longe de uma Fernanda Young, uma Lya Luft, uma Sandra Werneck. Mas tu é inteligente à sua maneira. Assiste novela, mas não comenta a vida dos personagens. Gosta de Clarice, da Cecília, da Martha. Curte o Tom, a Adriana, o Nando, a Zizi, o Cazuza. Trabalha, suspira, trabalha, checa as unhas, trabalha, sonha, trabalha, belisca uma água-e-sal, trabalha e um colega de trabalho te olha. E te acha bonita idem. E também se intriga com a tua solteirice.
Tem princípios iguais os da mãe. Mas se acha careta, às vezes. Não cede, mesmo só. Adora sexo, embora não faça com a mesma freqüência do desejo. Se faz, não vibra na mesma freqüência que o parceiro. Sente raiva por ser secretamente boba, romântica e demodê. Se derrete mais rápido que o sorvete napolitano na xícara de sopão quando a mocinha diz “você me fez acordar com um sorrisão no meu rosto”. Chora na frente de ninguém, ai de ti se mais alguém souber. E você não vê a hora de um príncipe encantado por ti libertar esse riso largo atrofiado, mas sabidamente bonito.
Tem suas esquisitices. Dorme de ederedon e ventilador, coleciona esmaltes, cerra as pernas quando sentada e fica coçando o joelho com uma das mãos enquanto a outra segura a cabeça pelo queixo, ensaia dança do ventre pro espelho do banheiro,faz duas vezes antes de pensar, tem uns ‘nhe-nhe-nhê” de mulherzinha. Mas qual não tem? É até bem charmoso. Nada tão relevante quanto sua forma meiga e carinhosa de perguntar “tu tá bem?”. Nada mais importante que teu ímpeto de cuidar dos outros. Nada que mude minha convicção de que tu é bonita.

O que te falta? Falta tu mesma se convencer do que te falo com certeza. Tu merece alguém que abra os olhos diariamente e pense: “cara, eu to com ela, eu sou o namorado dela”. Que goste da tua boca, do teu ombro, do teu cabelo bagunçado, do teu calcanhar, da tua cintura das tuas mãos, do cheiro da tua pele, das sardas do teu rosto. E isso vai acontecer naturalmente se você se dar conta de que tu é bonita, no âmago e na lata. Eu acho, teu ginecologista também, o colega de trabalho assina embaixo. Um dia serás o amor da vida de alguém do jeitinho que tu é. Falta tu. Acorde hoje e repita: “eu sou bonita”.
- Gabito Nunes
"O que te falta? Falta tu mesma se convencer do que te falo com certeza. Tu merece alguém que abra os olhos diariamente e pense: 'cara, eu tô com ela, eu sou o namorado dela!'. Que goste da tua boca, do teu ombro, do teu cabelo bagunçado, do teu calcanhar, da tua cintura, das tuas mãos, do cheiro da tua pele, das sardas do teu rosto. E isso vai acontecer naturalmente ao você se dar conta de que tu é bonita, no âmago e na lata. Eu acho, teu ginecologista também, o colega de trabalho assina embaixo. Um dia serás o amor da vida de alguém, do jeitinho que tu é. Falta tu. Acorde hoje e repita: 'eu sou bonita'."

(Gabito Nunes)